segunda-feira, 13 de abril de 2009

Meu querido feriado.

author_line_incendio
Deus criou o mundo em seis dias, descansou no domingo e na segunda se arrependeu. E desde então esse é o dia dos arrependimentos.
Todo mundo sabe que semana santa é feriado-de-familia-e-recolhimento. Pois é. Ao pé da letra.
Mamãe virou pra mim quarta-feira e disse “Seu feriado acaba hoje”. Ok, havia uma semana que eu não parava em casa, mas precisava disso? Doeu, sabe?
Eu apenas sorri e olhei com aquela cara de boa filha. Manda quem pode e obedece quem tem juízo, né?
E eu embarquei no meu feriado tedioso e lazarento. E, quando pensei que estava acabando, ele se encerrou com o golpe de misericórdia: festa de família.
Pra vocês terem uma noção do quanto eu amo esse tipo de evento, eu seria capaz de forjar minha própria morte para não ter que ir. Mas era aniversario de mamãe, então eu fui.
Vocês já devem imaginar que minha popularidade na família não é das mais saudáveis (se fosse eu iria à festa de bom grado). Passei o dia ouvindo comentários carinhosos como “ Quando você vai cortar esse cabelo?”, “ Seus namoradinhos são assim como você?”, “ Você não acha que usa cores demais?”, “ O que sua mãe acha disso?”.
Mas o top, o ápice da conversa foi o André. Conhecem o André? Pois, é, eu também não. Mas, segundo as minhas tias, ele é lindo, inteligente, educado, rico, católico (sim, elas frisaram isso), carinhoso e solteiro. Teoricamente ele me colocaria no bom caminho. Se usarmos matemática simples, podemos concluir que ele provavelmente é um pé no saco. Mas sabe aquela historia do “sorria e acene”? Foi bem isso.
E, pra fechar com chave de ouro, a páscoa! Nada melhor que reencontrar as tias do dia anterior, falar mais um pouco da MINHA vida e, de quebra, ganhar uma enorme quantidade de chocolates que eu não vou comer tão cedo.
Então posso estufar o peito e falar que hoje decididamente é o dia dos arrependimentos. Eu deveria ter forjado minha morte logo na quarta-feira mesmo.
E o feriado de vocês? Como foi?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Manifestação de raiva

author_line_oraculo
Quando eu era menor falavam que espancar o travesseiro era melhor do que espancar as pessoas. É verdade. Funciona.

Mas espancar travesseiros não transfere o seu ódio para o pobre algodão. A raiva permanece, torna-se parte do seu ser, está visível em cada um dos seus mais ínfimos poros, circula por cada um dos seus mais ínfimos capilares. Ela se esconde de você, mas não vai embora.

Espancar pessoas é a mesma coisa. A raiva não vai embora, e você ainda fica mal no conceito alheio (ao passo de que o travesseiro não pode revidar).

Meu primo costumava espancar a parede, como num raio, uma descarga elétrica curta e poderosa. Mais ou menos similar aos leões que rugem ao léu só para intimidar candidatos ao novo macho-alfa da turminha. É verdade que a mão dele ficava vermelha depois e, no começo, ele tentava esconder a dor e não conseguia.

Há várias formas de se esconder a dor e expressar a raiva, eu acredito. A minha é bem alternativa. Eu desconto toda a minha raiva nas pessoas, mas não fisicamente. Costumo ser bastante ácido... bem mais do que o normal. O problema é que, como eu sou uma pessoa educada, eu costumo esconder minha acidez e mordacidade em meio a palavras e construções frasais complicadas. Minha estratégia depende da imbecilidade alheia.

Alguma sugestão de por que eu faço isso e não espanco o travesseiro?