Esses dias estava conversando com a minha mãe quando chegamos ao assunto internet. Ela mencionou várias reportagens, estudos psicológicos, patológicos, neurológicos, todos esses lógicos importantes. A idéia era me dar uma dica bem sutil (pobre mulher…) de que eu ficava na internet muito tempo.
Não a desmentirei, absolutamente. Eu assumo que fico na internet por muito tempo e assumo que meu temperamento não é dos melhores quando estou privado da conexão. Se isso é um motivo a trabalhar, pouco me importa, por enquanto. Até onde posso racionalizar, não tenho tido desvantagens consideráveis.
Dentro de um dos argumentos da minha mãe para a minha dissuasão estava aquele de que o MSN desconecta as pessoas, ao invés de conectar. Ele faz as relações ficarem muito impessoais, faz as pessoas se afastarem.
Disse “sim” para não render, mas fiquei pensando nisso. Por alguma razão isso entra por um ouvido e sai pelo outro. Não é porque eu não concordo. Eu concordo. Em parte. Porque, se formos parar pra pensar, o MSN é o lugar onde as pessoas contam os segredos umas para as outras sem precisar ter vergonha. Já contei segredos por MSN que eu duvido que seria capaz de contar pessoalmente.
O MSN, por ser parte da internet, é uma extensão libertária da sociabilidade. É uma forma para quem não é sociável de suprir essa necessidade. Aquele “nerd sem amigos que tem medo de meninas”? Bom, com MSN ele é um galanteador finíssimo que sabe conversar sobre vários assuntos.
Concordo muito com a minha mãe quando ela diz que a internet pode ser nociva. Descordo em igualdade, também. A internet traz malefícios e benefícios. Assim como açúcar, dinheiro e religião. Sou adepto ao batismo digital. A sociedade penaliza os “viciados em computador” da mesma forma que penaliza os viciados em drogas, em bebida alcoólica.
No final, fica uma lição de vida… sobre preconceito, sobre opressão. No MSN vc pode ser qualquer pessoa. Talvez seja essa liberdade que permita que vc, no final, seja vc mesmo.